06/06/2022

Ajude o patagarro

PATAGARRO

Na Madeira, esta espécie (Puffinus puffinus) é conhecida por patagarro, nos Açores por estapagado e por fura-bucho-do-atlântico em Portugal Continental.

Sabia que a densidade populacional do patagarro na ilha da Madeira não está devidamente bem estudada? A estimativa da população do patagarro na Madeira foi avaliada pela contagem de jangadas - conjunto de aves marinhas pousadas na superfície do mar - no início do século XXI, um método com elevado grau de incerteza.

⚠️ AMEAÇAS

Em Portugal, num passado já remoto, esta espécie sofreu uma forte redução nas suas colónias de reprodução como resultado da introdução de predadores terrestres e da captura direta para exploração de óleo, de carne e de penas. Atualmente o fator de ameaça mais importante continua a ser a presença de predadores introduzidos nas áreas de reprodução.

🔍 Saiba mais sobre a espécie aqui.

Esta espécie nidifica no Atlântico Norte, maioritariamente no Reino Unido e na Irlanda, com pequenas colónias no Canadá, nos Estados Unidos, na Islândia, em Espanha e em Portugal. No nosso país reproduz-se na ilha da Madeira e nas ilhas das Flores e do Corvo (Açores), não tendo sido possível confirmar a sua reprodução noutros locais deste último arquipélago, onde deverá também nidificar. É frequente nas águas portuguesas durante a migração pós-nupcial, em especial desde meados de agosto até meados de outubro, devido ao facto de uma parte importante do contingente das Ilhas Britânicas passar pela nossa ZEE, em direção às suas áreas de invernada localizadas ao largo da América do Sul. Em grande parte das águas açorianas, ocorre sobretudo durante ambos os períodos migratórios. Na Madeira, observa-se praticamente durante todo o ano, sendo que de meados de janeiro até finais de junho ou princípios de julho está presente a população nidificante e, no verão e no outono, estão presentes os migradores de passagem.

Na Madeira, nidifica em falésias no interior da ilha, acima dos 500 metros de altitude, em zonas de floresta nativa com pouca rocha nua e boa cobertura arbustiva. No Corvo e nas Flores, as colónias localizam-se em falésias íngremes e pouco acessíveis. Nesta primeira ilha, a reprodução parece ocorrer cerca de dois meses mais tarde do que na Madeira.



Já sabe o que fazer quando encontrar uma ave marinha desorientada?



12/05/2022

Ajude o pintainho

Juvenil de Pintainho. Foto por Beatriz Martins

Sabia que em 2012, durante um estudo das espécies das Ilhas Selvagens, foi recolhido um pintainho que tinha sido anilhado 19 anos antes, em 1993? Esta espécie tem a sua grande fatia populacional nas Selvagens, sendo por isso dificilmente observada. Nos Açores, é conhecida como frulho.

As suas patas são azuladas e possui um dorso muito escuro e um ventre claro. Esta ave nidifica nas falésias de pequenas ilhas e ilhéus, e os seus ninhos são construídos em cavidades e buracos de rochas, assim como por baixo de pedras soltas.

⚠️ AMEAÇAS

Os principais fatores de ameaça e de mortalidade em terra resultam da predação exercida por mamíferos introduzidos, da ocupação da área costeira com urbanizações, da ocorrência regular de predadores, tais como a gaivota-de-patas-amarelas, da poluição luminosa e da competição interespecífica por cavidades de nidificação. Nos Açores, foram definidas linhas de investigação prioritárias para a conservação desta espécie.

🔍 Saiba mais sobre a espécie aqui.


Esta espécie encontra-se localmente nas águas tropicais e temperadas do Atlântico Norte, reproduzindo-se em diversos arquipélagos europeus e americanos. Em Portugal, reproduz-se em todas as ilhas e na maioria dos ilhéus dos arquipélagos dos Açores e da Madeira. Nos Açores, as posturas geralmente iniciam-se em meados de janeiro, com os últimos juvenis a saírem do ninho no início de junho. Ao contrário da maioria das espécies de Procellariiformes, o pintainho não realiza migrações de grande escala. Pelo menos parte da população permanece próximo das suas colónias de nidificação durante a época não reprodutora, podendo visitá-las durante este período. Em virtude do seu comportamento mais sedentário e da ausência de colónias de reprodução no Continente, a ocorrência do pintainho nesta região deverá estar relacionada com a expansão significativa da sua área de alimentação no período pós-reprodutor e com a ocorrência de movimentos dispersivos. Ainda que em números escassos, frequenta tanto áreas costeiras como oceânicas na primavera, no verão e no outono. A espécie parece ocorrer em toda a ZEE, embora com densidades mais elevadas em redor da Madeira.

Pintainho adulto. Foto por Ana Isabel Fagundes

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17/02/2022

Ajude o roque-de-castro

ROQUE-DE-CASTRO

Das 8 espécies de aves marinhas nidificantes no Arquipélago da Madeira, o Roque-de-castro é a mais pequena!

Esta espécie tem um comportamento marcadamente pelágico. A sua dieta é composta por crustáceos planctónicos, pequenos peixes e cefalópodes, podendo tirar partido dos restos deixados por outros predadores e das rejeições da pesca. Nidifica em pequenas cavidades ou em fendas nas rochas em ilhas e ilhéus sem predadores, ou em cavidades de escarpas inacessíveis, onde predadores terrestres introduzidos estão presentes (as gaivotas também são predadoras).

Roque-de-castro após encandeamento pela luz noturna artificial.

Sabia que existem duas populações de roque-de-castro bem distintas? Estas populações apresentam caraterísticas morfológicas, períodos reprodutivos e vocalizações diferentes. A população de inverno é mais abundante e nidifica entre setembro e fevereiro, enquanto a população de verão nidifica de março a outubro.

Roque-de-castro recolhido durante a Campanha Salve uma Ave Marinha em 2021. Foto por: Tiago Dias

De momento, os juvenis de roque-de-castro, da população de inverno, começam a abandonar os ninhos. Esteja atento e, caso encontre uma ave, recolha-a com cuidado e liberte-a num sítio junto ao mar e pouco iluminado.

Não administrar qualquer tipo de alimento ou água! Foto por: Tiago Dias

Contacte-nos com o seu registo através do telefone 967232195 ou preencha o formulário em https://bit.ly/2x1AWSP.

️ Caso a ave esteja ferida, contacte o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, RAM através do 961957545 (09:00-17:30) ou a GNR - Comando Territorial da Madeira (disponível 24 horas).


A primeira ave marinha salva, do ano de 2022, foi um roque-de-castro juvenil que se perdeu após sair do seu ninho. Foi encontrado por um membro do staff no Hotel Galomar, no Caniço.
Roque-de-castro juvenil resgatado em fevereiro de 2022. Foto por: Elisa Teixeira


IDENTIFICAÇÃO

De pequeno porte, o roque-de-castro é predominantemente escuro e apresenta uma faixa branca no uropígio. A sua cauda é ligeiramente bifurcada, permitindo a sua distinção relativamente ao painho-de-cauda-bifurcada.

Roque-de-castro. Foto por: Tânia Pipa

O roque-de-castro distribui-se pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Em Portugal, nidifica nos arquipélagos das Berlengas, dos Açores e da Madeira. A nidificação da população de verão foi confirmada apenas no arquipélago da Madeira, em praticamente todas as ilhas e ilhéus. A população de inverno é maior, conhecendo-se colónias no Farilhão Grande (Berlengas), nas ilhas e nos ilhéus da Madeira (incluindo o ilhéu do Farol, o Porto Santo, as Desertas e as Selvagens), e dos Açores (Santa Maria, Graciosa, São Jorge, São Miguel, Flores e Corvo), embora nas últimas três ilhas a confirmação da nidificação tenha sido baseada em escutas noturnas. A população de verão reproduz-se de março a outubro, ao passo que a de inverno nidifica entre setembro e fevereiro. Esta espécie ocorre nas nossas águas ao longo do ano, não tendo, contudo, sido registada nos Açores, no verão. Neste arquipélago, ocorre também o painho-de-monteiro, e a dificuldade na distinção entre as duas espécies, em voo, leva-nos a assumir que os mapas produzidos possam incluir registos de ambas.

Roque-de-castro. Foto por: Joana Andrade
Saiba mais sobre a espécie aqui.

 



Ajude a freira-do-bugio

FREIRA-DO-BUGIO

Esta ave de estatuto de conservação Vulnerável, habita somente a Ilha do Bugio, nas Desertas. De momento, os juvenis de freira-do-bugio começam a abandonar os ninhos. Esteja atento e, caso encontre uma ave, recolha-a com cuidado e liberte-a num sítio junto ao mar e pouco iluminado.

Foto por Pedro Geraldes

Contacte-nos com o seu registo através do telefone 967232195 ou preencha o formulário em https://bit.ly/2x1AWSP. 

❗️ Caso a ave esteja ferida, contacte o Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, RAM através do 961957545 (09:00-17:30) ou a GNR - Comando Territorial da Madeira (disponível 24 horas).

Ilustrações gentilmente cedidas por Juan Varela.

IDENTIFICAÇÃO

É uma ave marinha de tamanho médio, um pouco mais pequena que a cagarra. Tem uma plumagem cinza escura na parte superior do corpo e asas, enquanto que o branco domina o peito e a parte inferior do corpo.

Foto por Filipe Viveiros

A freira-do-bugio é uma espécie endémica das ilhas Desertas, no arquipélago da Madeira. Nidifica na ilha do Bugio, uma das três ilhas das Desertas, suspeitando-se de que também o faça na ilha adjacente, a Deserta Grande. Esta espécie foi muito recentemente separada do gon-gon Pterodroma feae, que nidifica em Cabo Verde. As primeiras aves chegam aos locais de reprodução no final do mês de maio e os últimos juvenis abandonam o ninho na primeira metade de janeiro.

No mar, esta freira é muito difícil de distinguir da sua congénere, a freira-da-madeira, pelo que a informação apresentada nos mapas poderá conter registos de ambas as espécies. Na época de reprodução a maior parte dos indivíduos apresenta uma clara preferência pelas águas profundas e mais frias localizadas a norte da Madeira, visitando ainda as águas do Continente e dos Açores. Durante os períodos de incubação e de alimentação dos juvenis, os adultos não se afastam além das águas madeirenses. Após a reprodução, a freira-do-bugio apresenta a maior dispersão espacial de todas as espécies do género Pterodroma conhecidas, invernando em cinco áreas distintas, localizadas sobretudo no Atlântico Sul e Ocidental, ficando uma parte da população pelas águas da ZEE de Cabo Verde.

Foto por Pedro Geraldes

AMEAÇAS E CONSERVAÇÃO

As principais ameaças a esta espécie estão associadas aos locais de reprodução. A perda de habitat disponível devido à erosão provocada pelo vento, pela chuva e pela presença de mamíferos introduzidos, nomeadamente coelhos e cabras, contribuiu para a diminuição da área potencial de nidificação da freira-do-bugio. Outrora existiram também na ilha do Bugio ratos-domésticos, igualmente conhecidos pelo seu impacto negativo sobre algumas aves marinhas. O projeto SOS Freira do Bugio resultou na erradicação das populações de ratos-domésticos, de cabras e de coelhos na ilha do Bugio. Relativamente às ameaças no mar, as freiras não deverão entrar em conflito direto com as embarcações de pesca. Contudo, existe ainda pouca informação relativamente a esta problemática.

Saiba mais sobre a espécie aqui.